Fundamentos do Solidarismo
Versão 1.2
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Introdução
Esse documento tem o objetivo de entrar em detalhes da filosofia do
solidarismo e em suas estratégias e projetos de ação. O recomendável é
que o leitor tenha lido nossa introdução em
https://solidarismo.github.io/
Esse trabalho está em desenvolvimento, quem quiser contribuir pode
nos procurar no server do dicord.
Agradecemos a todos os membros e apoiadores do coletivo, sem a ajuda
de vocês esse trabalho não seria possível.
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Índice
Introdução 2
Polarização - sociedade em ruína 4
Crítica ao sistema capitalista 6
Hiperconsumo 6
Obsolescência programada (em desenvolvimento) 8
Desemprego e desigualdade social (em desenvolvimento) 8
Imperialismo e exploração 9
Ciência da felicidade (em desenvolvimento) 11
A luta que cura e gera prosperidade 11
Modelo de cooperativas do Solidarismo (em desenvolvimento) 12
Bibliografia 13
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Polarização - sociedade em ruína
Políticos usam uma variedade de estratégias para radicalizar e
polarizar a sociedade, manipulando emoções para dividir a população
em "nós" contra "eles". A tática central consiste em explorar temas
sensíveis e divisivos que geram reações emocionais intensas, como
segurança, economia e valores culturais. Usam também retórica
simplista, culpando um grupo ou indivíduo como causa dos problemas,
o que direciona a frustração e os medos da população para “inimigos”
específicos. Essas estratégias infelizmente são mais eficazes para atrair
eleitores, por isso os políticos (mesmo alguns não gostando dessas
estratégias) acabam por utilizá-la.
Uma analogia é que os eleitores acabam se tornando "torcedores de
futebol", onde as pessoas se apegam emocionalmente ao "seu lado" e
deslegitimam o "adversário" independentemente dos fatos. As pessoas
acabam ficando fanáticas, querem a vitória do “seu time” a qualquer
custo, mesmo que isso signifique ignorar problemas e erros do seu
“time político” ou acreditar e espalhar mentiras.
Esse cenário gera uma migração dos centros políticos para os polos,
essa radicalização gera irracionalidade e antipatia, impede a
construção de ideias conjuntas, pois qualquer proposta é rejeitada pelo
simples fato de vir do lado oposto. À medida que as interações sociais e
as decisões individuais isolam as pessoas em grupos que não mais
dialogam, o sistema político se torna incapaz de abordar a ampla gama
de questões - ou formular a variedade de soluções - necessárias para o
governo funcionar e fornecer os serviços essenciais para a sociedade.
No Brasil, além da polarização global, também a questão do
imediatismo, com políticas públicas se tornando "políticas de intenção"
sem plano de implementação real, muitas vezes apenas para atender ao
marketing. O Estado tem sido usado por grupos de interesse que
promovem políticas públicas visando seus próprios privilégios,
enquanto isso o povo é enganado por táticas de distração, toda hora
criam polêmicas ou incidentes superficiais para desviar a atenção do
povo.
O Solidarismo busca reduzir a polarização e a irracionalidade que
enfraquecem o tecido social. Enquanto políticos adaptam seus
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discursos, fazem novas alianças com aqueles que trocavam ofensas
poucos anos atrás, a população continua sendo enganada e
prejudicada. Não podemos ser torcedores de políticos, precisamos nos
atentar aos fatos, guiados pela serenidade e pelo compromisso com a
verdade. Defendemos uma política transparente e fundamentada em
evidências. É essencial expor ao povo aqueles que utilizam o ódio e a
divisão como ferramentas de poder, precisamos votar melhor, chega de
votar com a irracionalidade e o ódio.
Vídeo sobre a polarização no Brasil:
https://solidarismo.github.io/polarizacao_brasil.mp4
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Crítica ao sistema capitalista
Hiperconsumo
O desenvolvimento econômico e social atual é cada vez mais pautado
pelo crescimento do consumo, que gera lucro para o comércio e
grandes empresas, aumentando empregos e renda, o que, por sua vez,
fomenta mais consumo. Qualquer ruptura nesse ciclo implicaria uma
crise, pois a diminuição da renda levaria ao aumento do desemprego e
ao comprometimento do acesso a bens essenciais.
Uma das principais críticas ao sistema capitalista é justamente a
emergência deste modelo de consumo. Embora suas raízes remontem à
Revolução Industrial, foi com o surgimento do "American Way of Life"
(o estilo de vida americano), popularizado nos Estados Unidos em 1910,
que o consumismo se intensificou. Isso gerou uma crise de
superprodução nas fábricas, que acumularam estoques de produtos
sem um mercado consumidor capaz de absorvê-los, levando à crise de
1929.
Para combater os efeitos da crise, o governo desenvolveu políticas de
intervenção econômica no chamado "New Deal" (Novo Acordo),
visando aquecer a economia. A partir desse momento, para garantir a
continuidade da produção em massa, foram instituídos modelos de
desenvolvimento baseados na ampliação da renda e no crédito
facilitado, promovendo um aumento ainda maior do consumo. Embora
essas políticas tenham ajudado a encerrar a crise econômica do século
XX, instauraram uma problemática maior, que o consumo pelo
consumo é um meio contraditório e insustentável de manter o
desenvolvimento das sociedades. Essa dinâmica persiste até hoje.
As críticas à sociedade de consumo não se limitam à economia,
abrangendo também aspectos ambientais. Um dos impactos do
consumismo é a intensificação da exploração dos recursos naturais
para a produção contínua de mercadorias. Estima-se que seriam
necessários quatro planetas e meio para sustentar o nível de consumo
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dos Estados Unidos caso todos os países adotassem o mesmo padrão,
acelerando as mudanças climáticas e o colapso ambiental.
Esse cenário acarreta a devastação de florestas, o esgotamento de
recursos renováveis como água potável, florestas e solos, além de
acelerar a extinção de recursos não renováveis, como petróleo e
minérios fundamentais para inúmeros produtos.
Outro ponto crítico da sociedade de consumo é a prática da
obsolescência programada, ou planejada, que consiste na produção de
bens deliberadamente projetados para terem vida útil curta,
incentivando o consumidor a substituí-los em pouco tempo. Isso
aumenta não o consumo, mas também a pressão sobre os recursos
naturais e a geração de lixo, exacerbando os impactos ambientais.
Consumo e identidade
A razão pela que consumimos dessa forma, além de nossas
necessidades, é porque o consumo é ideológico em seu núcleo”, diz
Steve Miles, sociólogo da Universidade Metropolitana de Manchester e
autor de livros como como Consumerism: as a way of life (Consumismo
como meio de vida). “Somos obrigados a consumir de modos que não
são naturais, mas que servem para manter o status quo”. O melhor
exemplo dessa forma irracional de consumir é a prática de ir a algum
shopping, fortemente impulsionada pelas, publicidade, cinema e pela
televisão: comprar por comprar se transforma em uma atividade de
lazer de fim de semana e até em uma terapia para momentos de crise.
A protagonista da série volta ao anoitecer para casa, com os braços
cheios de sacolas de lojas, muito mais tranquila após passar a tarde
percorrendo as lojas do centro. Agora isso sequer é necessário: basta
uma conexão com a internet para comprar de casa produtos vindos de
todo o planeta e tê-los em pouco tempo na porta de casa. Em
comparação com os anos 1970, quando os consumidores eram expostos
a certa de apenas 500 anúncios por dia em média. Hoje o consumidor é
exposto a uma média de 6000 a 10000 anúncios diariamente, um
incessante bombardeio ideológico tentando converter as pessoas ao
consumismo.
A dinâmica do marketing continua a se desenvolver, cada vez mais
“Compramos uma marca porque está alinhada aos nossos valores e
porque nos emociona”, diz o psicólogo Albert Vinyals Nas redes sociais
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somos expostos aos estilos de vida dos privilegiados e daqueles que
fingem sê-lo (influencers posando em iates, piscinas, viagens exóticas.
Ao mesmo tempo, marcas de luxo são cada vez mais comuns em
bairros pobres, impulsionados por propaganda com ídolos como
cantores, jogadores e modelos.
Fica cada vez mais difícil escapar da pressão que é imposta pelo
sistema, seja por um estilo de vida, seja por afirmação social. A moda,
o luxo, e o consumo são a versão materialista da felicidade como se ela
fosse proporcionada pelo mercado. Sem dúvida, proporciona prazeres.
Mas esses prazeres são a felicidade? Não! Consumir não basta. A
felicidade exige outra coisa, principalmente na relação com os outros e
consigo. O ser humano não pode se reduzir a um consumidor, assim
pensa Gilles Lipovetsky.
É fundamental que cada cidadão tome consciência, vendo-se como um
indivíduo pertencente ao Planeta e não como um ser egocêntrico. É
necessário aprender a separar o joio do trigo, distinguindo o que lhe é
essencial daquilo que é supérfluo à sua vida. Afinal de contas, estamos
consumindo para viver ou estamos vivendo para consumir?
Obsolescência programada (em desenvolvimento)
Desemprego e desigualdade social (em
desenvolvimento)
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Imperialismo e exploração
O imperialismo, como conceito econômico e político, começou a ser
reconhecido no final do século XIX, quando as potências europeias
intensificaram suas expansões coloniais para controlar territórios e
recursos globais. Esse movimento foi impulsionado principalmente
pela Segunda Revolução Industrial e pela necessidade das potências em
encontrar mercados e matérias-primas para sustentar seu crescimento.
Pensadores como Lenin definiram o imperialismo como uma fase
avançada do capitalismo, em particular com o advento do capital
financeiro a fusão entre capital bancário e industrial e a formação
de conglomerados empresariais. Para manter a expansão do capital,
uma demanda por influência política que viabilize seus objetivos
principais: exportação de capital, garantia de mercados consumidores e
acesso a recursos estratégicos. No capitalismo, o imperialismo não é
uma escolha, mas uma exigência imposta pelo próprio sistema aos
capitalistas e ao estado.
No contexto do pós-Segunda Guerra Mundial, se estabeleceu um
cenário onde uma centralização da gestão dessa reprodução do
sistema imperialista em um único país (no caso, os Estados Unidos), que
mantém mais de 700 bases militares fora do seu território e ocupam o
lugar mundial em gastos militares, totalizando 916 bilhões de
dólares. Para igualar esse valor, é necessário somar os orçamentos de
defesa da China, Rússia, Índia, Arábia Saudita, Reino Unido, Alemanha,
Ucrânia e França. Com o dólar consolidado como moeda de comércio
global, os EUA exercem ampla capacidade de imposição de sanções
econômicas, afetando cerca de um terço dos países, majoritariamente
nações de baixa e média renda. Além disso, instituições internacionais,
como a ONU, FMI, Banco Mundial e OTAN, são influenciadas pelos
interesses dos EUA, que mantêm um aparelho ideológico por meio do
controle de grandes mídias como Meta e Google e produções
culturais e acadêmicas. Esse domínio permite moldar o debate
intelectual e justificar sanções ou ações contra países que desafiam essa
hegemonia, onde rapidamente um país ou comunidade podem ser
enquadrados como mal a ser combatidos.
A posição do Brasil como um país que sofre com o imperialismo e
ocupa uma posição periférica no sistema capitalista tem um impacto
direto e significativo na vida dos brasileiros. Devido à necessidade de
transferir parte do valor produzido para outras economias centrais, o
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país é submetido a uma pressão constante para reduzir salários e
flexibilizar relações de trabalho. Isso resulta em empregos com piores
condições e direitos cada vez mais limitados. Além disso, o acesso a
serviços sociais essenciais, como a saúde, é prejudicado, uma vez que o
país depende de importações, seja de vacinas ou de equipamentos
médicos avançados, como os de radiografia. No campo da segurança
alimentar, uma contradição gritante: o Brasil, que exporta grandes
quantidades de alimentos e possui capacidade de alimentar cerca de
800 milhões de pessoas, enfrenta uma taxa de insegurança alimentar
que afeta 27% da sua população. Essa realidade reflete o
funcionamento de uma economia que não prioriza o bem-estar da
própria população. Outros desafios surgem nesse contexto, como a
dificuldade em promover uma economia mais sustentável. A pressão
para expandir a fronteira agrícola, visando atender à demanda de
exportação de commodities como soja e carne bovina, gera impactos
ambientais e limita a possibilidade de transição para uma economia
verde. Da mesma forma, o desenvolvimento de infraestrutura e
mobilidade urbana enfrenta obstáculos, que um sistema de
transporte público eficiente e de qualidade não é interessante para a
indústria automobilística, que lucra com a dependência do transporte
individual. Esses elementos evidenciam as limitações e contradições
que o Brasil enfrenta ao operar sob uma economia desenhada para
atender a interesses externos mais do que aos da sua população
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Ciência da felicidade (em desenvolvimento)
A luta que cura e gera prosperidade
Entrar em um grupo que luta por causas nobres maiores do que nós
mesmos sempre fascinou a humanidade. Desde os tempos mais
remotos, pessoas se uniram para alcançar objetivos comuns, enfrentar
desafios ou simplesmente sobreviver. Para muitos, participar de um
movimento que compartilha valores e objetivos é um caminho de cura
e crescimento. Isso acontece pelo sentimento de pertencimento, apoio
emocional oferecido pelas conexões sociais, propósito gerado pela luta
e as conquistas alcançadas.
Pertencimento
Pertencimento é aquela percepção de alguém fazer parte de uma
comunidade, de uma família, de um grupo. Está muito ligado ao
reconhecimento e a como a pessoa tem respeitadas a sua dignidade, a
sua cultura, e as suas diferenças. Fazer parte de algum grupo ou
pertencer a algum lugar nos um sentimento de importância, de fazer
parte de algo que é maior e mais importante que nós. Não se sentir
parte de algo, por outro lado, pode causar efeitos muito negativos na
saúde física e mental e no bem-estar de uma pessoa
O sentimento de pertencimento também ajuda na prevenção de alguns
problemas de saúde mental, como a depressão, a ansiedade,
pensamentos suicidas e o sentimento de estar sozinho. A falta desse
sentimento ocasiona baixo suporte social e aumento dos casos de
depressão e pensamentos suicidas.
Um dos sintomas da depressão, mais do que o sentimento de solidão, é
o sentimento de estar deslocado e não pertencer a nenhum lugar. Isso
impacta no círculo social e no sistema de suporte social, o que pode
levar a uma piora do quadro clínico. Um estudo encontrou, inclusive,
que o isolamento social causa no corpo o mesmo tanto de desejo no
cérebro do que a fome. que, em vez de comida, desejamos ter
contato social.
A hipótese do pertencimento, proposta pelos psicólogos Roy F.
Baumeister e Mark R. Leary, em 1995, sugere que o desejo por ter
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relações interpessoais é uma motivação fundamentalmente humana.
Segundo os pesquisadores, os seres humanos têm necessidade de ter e
manter um relacionamento duradouro, estável e significativo com um
grupo de pessoas. Essas relações são importantes porque moldam o
comportamento, pensamento e as emoções de uma pessoa, trazem
vantagens evolutivas e beneficiam a sobrevivência e a reprodução.
No mundo onde cada vez mais as pessoas frequentemente se sentem
isoladas ou alienadas, estar em um grupo com um grande propósito
pode fornecer um apoio emocional. Muitos que se sentem
desconectados da sociedade encontram no agir por uma causa uma
forma de pertencimento, algo que responde ao desejo humano de fazer
parte de algo maior. Grupos com objetivos compartilhados muitas
vezes fornecem um espaço onde as pessoas se sentem compreendidas,
aceitas e motivadas. Esse senso de pertencimento ativa áreas do
cérebro relacionadas ao bem-estar e à satisfação, resultando em uma
melhoria geral na saúde mental. Mais do que uma simples conexão, o
apoio mútuo e o incentivo dentro de um movimento ajudam os
membros a enfrentar desafios pessoais e coletivos, criando um círculo
de reforço positivo e gerando prosperidade através da ajuda mútua.
Movimentos geralmente giram em torno de um propósito ou causa
comum, e fazer parte disso nos um sentido de propósito maior.
Saber que estamos contribuindo para algo significativo cria um laço
profundo entre os participantes e fortalece nosso sentimento de
pertencimento, gerando uma sensação de segurança emocional, porque
sabemos que outras pessoas que compartilham as mesmas lutas,
ideias e objetivos. Isso cria um ambiente onde podemos expressar
nossas preocupações e buscar apoio em momentos difíceis. O
sentimento de pertencimento está ligado ao reconhecimento de nossas
contribuições. Sentir-se valorizado dentro do grupo gera satisfação e
aumenta a motivação para continuar participando ativamente.
Modelo de cooperativas do Solidarismo (em desenvolvimento)
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Bibliografia
Polarização:
https://jornal.usp.br/podcast/sociedade-em-foco-195-polarizacao-politic
a-prejudica-a-formacao-de-politicas-publicas/
https://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=polarizacao-politi
ca-nao-destroi-apenas-democracia-destruir-sociedade&id=15072
https://www.faxaju.com.br/noticias/professor-espanhol-diz-que-polariz
acao-leva-a-logica-irracional-da-politica/
Hiperconsumo:
https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/o-capitalismo-sociedade-c
onsumo.htm
https://brasil.elpais.com/cultura/2021-10-08/consumir-procurando-uma-
felicidade-que-nunca-chega-como-compramos-para-construir-nossa-ide
ntidade.html
A luta que cura e gera prosperidade
https://jornal.usp.br/radio-usp/sentimento-de-pertencimento-e-a-necessi
dade-de-manter-relacoes-estaveis-e-de-moldar-o-comportamento/
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